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domingo, 24 de outubro de 2010

PEQUENOS GRUPOS


Uma das grandes ‘conquistas’ da igreja evangélica contemporânea vem se transformando em um grande problema para muitos cristãos. Nos últimos anos, é cada vez mais comum a construção de templos capazes de receber 4, 5 ou 6 mil pessoas. Isso acontece porque, via de regra, o rol de membros da maioria das denominações não pára de crescer. Parece contraditório fazer essa afirmação. Afinal de contas, ganhar almas para Cristo é a missão de todo crente. No entanto, não há como negar que congregar em igrejas que possuem milhares de membros traz dificuldades evidentes para a comunhão.Para muitos, a solução para essa dificuldade é o que se convencionou chamar de células, ou pequenos grupos, ou, até mesmo, núcleos familiares. Para eles, através de reuniões menores, é possível um resgate dos primeiros tempos do cristianismo, visando uma maior comunhão, edificação e crescimento. Uma lembrança que dá força a essa corrente reside no fato de que o próprio Jesus prometeu a seus servos que estaria presente quando dois ou três deles se reunissem em Seu nome.Os estudiosos lembram que a reunião de cristãos para a prática da oração e da meditação na Palavra remonta aos primeiros anos subsequentes à ascensão de Cristo. Naquele tempo – não podemos esquecer - não existiam grandes igrejas como as de hoje. Além disso, a perseguição aos discípulos de Jesus era intensa. Em função disso, as reuniões eram clandestinas e a fé cristã, absolutamente proscrita e socialmente censurável. Apesar desse panorama pouco estimulante, estavam presentes na igreja do primeiro século doses gigantescas de unidade, devoção e crescimento. De modo geral, os pequenos grupos possuem dois objetivos: comunhão entre membros e proclamação do Evangelho. É ali, num espaço mais intimista, que os recém-convertidos são melhor discipulados e, por isso, acabam transformando-se em lideranças. Como compartilhar, sorrir, chorar, acalentar, fortalecer, ser fortalecido, aconselhar ou ser aconselhado quando estamos no meio de uma multidão? Como ouvir e ser ouvido se já nem conhecemos mais as pessoas ao nosso redor? O pastor Roberto Lay, coordenador do movimento e líder da Igreja Evangélica Irmãos Menonitas, de Curitiba, explica que numa igreja de eventos e programas (liturgia convencional), um número reduzido de pessoas trabalha para preparar alguma coisa para os demais membros que agem como meros consumidores. “Diversamente, as células devolvem a cada crente o privilégio de ser um ministro, realidade que ajuda no desenvolvimento de seu próprio sacerdócio”, aponta.Questionado sobre o papel das igrejas de hoje em comparação à Igreja Primitiva, Lay defende com convicção a aplicação do modelo celular para a edificação pessoal: “a igreja de Atos, na verdade, aprendeu com Jesus Cristo a ser uma comunidade de relacionamentos, e não de eventos. Era uma igreja bem recebida e estimada pelo povo por sua influência positiva na sociedade”, assinala. Jorge Henrique Barro, diretor da Faculdade Teológica sul-americana, acredita que o caráter missionário das células não pode ser negligenciado. Ele explica que a célula tem uma ênfase missiológica, e não eclesiológica. “Isso porque sua razão de existir não é a Igreja, mas o imperativo da pregação do Evangelho”, sentencia.Muitos irmãos, desiludidos com os percalços da igreja-instituição, têm levantado a bandeira desse novo movimento que, perigosa e tacitamente, vem se formando: o já famoso ‘cristianismo sem igreja’, também conhecido como a ‘doutrina dos desigrejados’. Para eles e para aqueles que decidiram permanecer na ‘velha arca’, não me canso de reafirmar a minha defesa incondicional da igreja como a reunião dos santos, como a noiva do Senhor, como o maravilhoso ajuntamento daqueles que, agradecidos pelo sangue derramado na cruz do calvário, decidiram resistir. “Sê fiel até à morte e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap. 2:10). Repetindo o que já disse várias vezes, prossigo não acreditando na possibilidade de que alguém 'permaneça crente' sem o calor da camunhão e o enriquecimento do compartilhar. Isso não quer dizer, entretanto, que a igreja não deva buscar um retorno aos valores defendidos pelos cristãos do primeiro século. Muitas denominações, inclusive, já possuem a experiência das reuniões nos lares e dos pequenos grupos. Talvez, o caminho seja o auto-reconhecimento de que, em virtude do gigantismo que caracteriza muitas igrejas, em que pese a progressiva inanição espiritual, esse instrumento esteja precisando ser fortalecido e visto como uma bela saída para muitos de seus problemas.

terça-feira, 30 de março de 2010

Porque você deve participar de uma célula

Uma célula é um grupo constituído de cinco a quinze pessoas, reunindo-se semanalmente para aprender como tornar-se uma família, adorar o Senhor, edificar a vida espiritual uns dos outros, orar uns pelos outros e levar pessoas ao Evangelho.

Cada célula deve ter no mínimo cinco pessoas e não deverá ultrapassar o limite de quinze. Os grupos de Moisés eram constituídos de 10 (Ex 18.21) e Jesus liderou doze. Quinze pessoas são o número ideal de membros para uma célula. Quando atingir esse limite, a célula deve se multiplicar.

1.Onde a célula se reúne?
Apesar de preferirmos residências, uma célula pode se reunir também em empresas (na hora do almoço), em escolas, em salões de festas (de condomínios) e em qualquer lugar onde haja um mínimo de silêncio e privacidade. Só não recomendamos reuniões em bares ou lugares semelhantes. Quando a célula não se reunir numa casa, naturalmente não haverá ali a figura do anfitrião. A maioria das células acontecem em residências.

2.Por que uma célula não pode ter mais de quinze pessoas?
Não há tempo suficiente numa reunião para mais de quinze pessoas receberem ministração e compartilharem no grupo. É muito difícil para um líder, mesmo com um auxiliar, apascentar mais de quinze pessoas. Também, as casas, normalmente, não comportam mais do que quinze pessoas numa sala, para uma reunião.

A razão para se limitar o número de pessoas numa reunião de células tem muito a ver com ?linhas de comunicação?. ?Quando duas pessoas se encontram, existem duas linhas de comunicação. Quando três estão reunidas, existem seis. Se há quatro pessoas reunidas, então temos doze. Se há cinco, o número sobe para vinte, e quando chega a dez, já são noventa linhas de comunicação. Quinze pessoas reunidas resultam em 210 linhas de comunicação, ou seja, a comunicação já não é apropriada?.

3.Cuidado! Isso pode não ser uma célula!
Existem alguns tipos de grupos que não são células. Assim precisamos também saber o que não é uma célula.

a)Grupo de oração
Normalmente esse tipo de grupo é composto de pessoas que têm a seguinte atitude. ?O que esse grupo pode fazer por mim??

b)Grupo de estudo bíblico
O problema deste tipo de grupo é que ele não estimula o compartilhar de necessidade e nem a verdadeira comunhão; pelo contrário, tende a se tornar um grupo restrito e fechado, onde o incrédulo não é bem-vindo.

c)Grupo de discipulado
Este tipo de grupo procura um crescimento espiritual num ambiente fechado e exclusivista.

d)Ponto de pregação
Grupos assim têm como deficiência básica o fato de não compartilharem a realidade da vida do Corpo. As pessoas vêm e vão e o grupo é só um ajuntamento.

e)Qualquer grupo com as seguintes características:
Grupo fechado, criado só para as pessoas de um departamento da igreja;
Qualquer grupo que não tenha a multiplicação como objetivo;
Qualquer grupo que não se submeta à liderança geral das células;
Qualquer grupo que seja apenas uma reunião social.
Cuidado! Não se engane! Esses grupos acima não são células!

4. Como é uma célula?
A célula não é um grupo de oração, ainda que a oração seja um dos seus ingredientes básicos. Não é um grupo de discipulado, ainda que o discipulado aconteça espontaneamente. Não é um grupo de estudo bíblico, ainda que a edificação seja forte nas reuniões. Não é um grupo de cura interior, ainda que seja um lugar de restauração. Não é um ponto de pregação, ainda que o objetivo básico de cada célula seja a multiplicação. A célula é um pouco de cada um desses grupos.

A célula da igreja pode ser comparada a uma célula do nosso corpo. A célula não é o corpo todo, mas traz dentro de si todas as informações necessárias para gerar um corpo inteiro. Isto é o que nós chamamos de informação genética.
Nesse contexto, célula é simplesmente uma miniatura da igreja, reunindo-se nas casas. Não existe algo tal como um ministério de células; as células são o lugar onde os ministérios afluem.

A célula é muito maior que a sua reunião. Se a célula só existe no dia da reunião, então não é uma célula, mas apenas um culto caseiro. A célula acontece a semana toda: no supermercado, no shopping, na caminhada, no lazer, nas casas. Sempre que os irmãos se encontram, a célula acontece. A primeira característica da célula é ser comunidade, e não o fato de existir como uma reunião.

a)A célula não é um lugar onde, a cada semana, comparece um grupo diferente de pessoas
Apesar da reunião de célula não ter como objetivo o evangelismo, o visitante será sempre bem-vindo. Na verdade, a célula visa a multiplicação, enquanto a reunião propriamente dita, está voltada para edificação.

Ainda que a reunião não seja evangelística, todo o projeto final da célula visa à multiplicação. Crentes realmente edificados na Palavra são crentes frutíferos. E o lugar adequado para se frutificar é no círculo familiar, na escola, no trabalho. A reunião do grupo funciona como um lugar de treinamento e motivação, para que cada um possa enfrentar, com ousadia, a guerra lá fora.

b)Uma célula possui endereço e dia certo de reunião.
Existem igrejas onde a reunião da célula é feita, a cada semana, na casa de um dos membros do grupo. A nossa experiência, porém, tem demonstrado, que um lugar de reunião definido produz no grupo um senso de identidade, constância e segurança.

c)A célula se reúne regularmente.
A chave para a comunhão é a constância, a regularidade. Não basta ter um lugar de reunião, é preciso que o grupo se reúna numa base regular, semanalmente. Nenhum relacionamento sólido e gratificante pode ser construído sem convivência. É a convivência que vai produzir vínculos de amor, de amizade e de aceitação.

d)A célula é homogênea.
Quando participamos de um grupo que possui as mesmas características gerais peculiares a nós, nos sentimos muito mais à vontade para compartilhar. Em nossa igreja, as células são padronizadas por faixa etária e não por sexo. Assim, temos redes de células de crianças, adolescentes, jovens e casais (mas temos também algumas células mistas).